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Maioridade atual da vítima não exclui multa a pai acusado de abuso

Para STJ, o simples advento da maioridade não pode ser fundamento para afastar a multa do art. 249 do ECA.
A 4ª turma do STJ manteve, por unanimidade, a multa imposta a um homem acusado de praticar abuso sexual contra a filha adolescente, a partir dos 13 anos de idade. Para o colegiado, o simples advento da maioridade não pode ser fundamento para afastar a multa do art. 249 do ECA, sob pena de se esvaziar o instituto e enfraquecer a rede protetora estabelecida pelo diploma legal.

Após investigação para apurar a ocorrência de maus-tratos contra a menor – paralela à ação penal que ainda estava em curso -, o pai foi condenado ao pagamento de multa administrativa no valor de 20 salários-mínimos e à perda do poder familiar.

O TJ/RJ reformou parcialmente a sentença, reconhecendo a perda superveniente de objeto quanto à destituição do poder familiar – extinto porque a vítima alcançou a maioridade civil – e excluindo a imposição da multa.

O MP/RJ recorreu contra o acórdão alegando que a penalidade prevista no ECA busca não somente proteger a criança ou o adolescente, mas também punir quem descumpre seus deveres de guarda, independentemente da idade atual da vítima.

Caráter educativo

De acordo com a relatora do recurso especial, ministra Isabel Gallotti, a multa estabelecida no art. 249 do ECA possui caráter educativo, e não apenas sancionador.

“Anoto que precedentes desta corte superior reconhecem não somente o caráter punitivo da referida multa, mas também os igualmente importantes aspectos pedagógicos e preventivos, a fim de se evitar a perpetração de condutas de tal natureza.”

A ministra destacou que o TJ/RJ não discutiu a ocorrência ou não do suposto abuso sexual que levou à aplicação da multa em primeira instância, porque, na oportunidade do julgamento da apelação, o pai se limitou a questionar a pena pecuniária.

“O tribunal de origem afastou a aplicação da penalidade prevista no artigo 249 do ECA unicamente em decorrência do advento da maioridade civil da apontada vítima, sem se pronunciar sobre a existência e autoria do fato apenável, justamente porque o recorrente havia aberto mão da discussão.”

Diante da circunstância de que há uma sentença impondo a pena em razão da alegada violência sexual – fato que não foi questionado pelo recorrente -, Isabel Gallotti considerou que a maioridade da suposta vítima, por si só, não basta para justificar a exclusão da multa.

Ainda segundo a ministra, a maioridade civil não tem a propriedade de retroagir para afastar os efeitos da aplicação do ECA ao tempo da ocorrência dos fatos.

O processo tramita em segredo de justiça.

Fonte: www.migalhas.com.br

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