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“Vozes femininas darão opiniões”, dizem mulheres sobre paridade na OAB

Para advogadas, maior dificuldade será fazer com que as mulheres tenham mais confiança em si e entendam que são capazes de exercerem os cargos.
Em tempos de empoderamento feminino, o número de mulheres advogadas no Brasil praticamente igualou ao número de homens, sendo que 10 das 27 seccionais da OAB possuem mais mulheres do que homens.

Quando falamos de cargos diretivos, como o de conselheiras Federais, por exemplo, o número é menor. Do total de 81 conselheiros Federais, 23 titulares são mulheres, o que corresponde a um total de 28,3%.

Procurando igualar o cenário, a OAB aprovou, no ano passado, a paridade de gênero nas eleições da Ordem. Com efeito, as chapas que concorrerão nas seccionais e às subseções da OAB deverão obrigatoriamente ter 50% de mulheres.

A OAB/DF produziu um emocionante vídeo contando como foi o dia em que foi aprovada a paridade de gênero. Veja abaixo, com a locução da conselheira Federal do DF, Daniela Teixeira, que há mais de uma década fazia esse pleito.

Ao Migalhas, mulheres da advocacia comentaram a implementação e os desafios que deverão ser enfrentados pela parte feminina da advocacia. Faltam mulheres? As mulheres estão preparadas para o cargo? Quais serão as dificuldades? Confira o ponto de vista de cada uma.

Desafio da paridade
A conselheira Federal Daniela Borges, da Bahia, participante ativa na luta pela paridade na OAB, analisou que um dos desafios para a introdução da paridade será fazer com que as mulheres acreditem mais nelas mesmas, pois são capazes e merecem estar nos espaços de destaque. “As mulheres são muito exigentes com elas mesmas porque a nossa sociedade é mais rigorosa com as mulheres”, destacou.

Durante a discussão para aprovação da paridade, muito se falou se as seccionais teriam mulheres suficientes para preencher o requisito de 50%. Para a conselheira da Bahia, no entanto, não faltam mulheres na advocacia.

“Existem mulheres que vivem o dia a dia da advocacia e sabem os desafios da advocacia. Se elas vivem e sabem a realidade, elas estão preparadas para representar a advocacia nos conselhos e nos órgãos diretivos.”

Cultura
O machismo impediu, por muito tempo, que as mulheres pudessem estudar e ocupar espaços no trabalho, criando uma cultura de dominância masculina. Na advocacia não foi diferente.

Segundo a advogada Dora Cavalcanti, do escritório Cavalcanti, Sion e Salles Advogados e uma das fundadoras do Innocence Project Brasil, quando começou a advogar, tinha que usar saia todos os dias no escritório, do contrário não entrava na sala de sessão dos Tribunais de Justiça.

Para Dora, o equilíbrio de gênero que foi conquistado na advocacia deve também refletir na composição dos espaços de poder da OAB.

A tesoureira da OAB/SP, Raquel Preto, acredita que uma das dificuldades da paridade de gênero será cultural. “Por muito tempo as mulheres ficavam excluídas desse espaço, então talvez algumas não se animem tanto porque os espaços nem sempre são acolhedores”, analisou.

Mercado de trabalho
De acordo com pesquisa do IBGE de 2018, homens são maioria nos cargos de gerência e diretoria (58,2%). Embora ambos os sexos procurem empregos de maneira semelhante, o “Informe de Percepção de Gênero”, do Linkedin, mostrou que, para se candidatar a um emprego, as mulheres sentem que precisam atender 100% dos critérios, enquanto os homens geralmente se candidatam após atingirem cerca de 60%.

Para Daniela Borges, essa realidade será um desafio e será preciso que as mulheres percebam o direito que elas têm de ocupar os espaços e reconheçam a competência e o quão elas estão preparadas para estarem nos cargos diretivos.

Dar voz às mulheres
Raquel Preto lembrou que estudos apontam que quando há mais mulheres nas instituições, os resultados se tornam melhores. É o que aponta a pesquisa “Women in Business and Management”, divulgada pela OIT.

O relatório analisou mais de 70 mil empresas em 13 países diferentes e concluiu que quando os cargos são equilibrados por gênero, as empresas têm 20% mais probabilidade de ter resultados melhores de negócios.

Para Raquel, a paridade de gênero na OAB vai, finalmente, fazer com que o olhar da advocacia feminina seja percebido de uma maneira mais densa e fazer mais diferença com relação à manifestação da vontade das mulheres advogadas. “Vozes femininas darão opiniões”, comemorou.

A advogada Dora Cavalcanti acredita que haverá resistência, mas que é o momento de ampliar o diálogo e trabalhar com um processo de convencimento, com a mente aberta e coração generoso.

Para Dora, a OAB será mais competente, mais exitosa e mais legítima com a composição diretiva plural e diversa. A advogada disse, ainda, que o sonho daqui pra frente é de que a paridade vai ser implementada como um valor central para todos.

“Nesse Dia Internacional da Mulher eu desejo, eu vou trabalhar incansavelmente, para que a gente não tenha uma ou duas, mas para que tenhamos muitas mulheres presidentes da OAB de seus Estados. E porque não num futuro próximo também uma mulher presidindo o CFOAB?”

Fonte: www.migalhas.com.br

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